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29.5.10

Pedaço de Pensamento 1 / Piece of Thought 1

A vida é estranha
Mais estranha que a morte
Os desesperos são muitos
A capacidade de esquecer tudo e cair na risada também
A hora que mais penso é quando estou andando
Consigo refletir em outra frequência
Diferente de pensar em casa.
Vou morrer um dia e não serei mais nada
Isso me intriga e me entristece mas me deixa mais... zen.
Provavelmente eu nem sou nada.
É possível que eu nem exista.
Todos os milhões de conflitos
Deslizando na corrente dos meus pensamentos e sentimentos
Devem ser menos que uma vaga fumaça esguia para o cosmos.
Enchendo o copo descartável com água, num andar vazio de prédio
Num lugar onde trabalhei como freelancer, olhando para o corredor
quase sem luzes acesas, uma percepção estranha me veio à cabeça.
Uma solidão sólida, duramente real, mas não totalmente desvendada.
Porquê eu estava ali? Pra quê? Porque tinha que estar ali a essa
altura da minha vida?
Percebi mais um pouco o quanto minha vida foi e será gasta com
momentos insignificantes, sem sentido.
Voltar num lugar onde se viveu muito
E se cansou muito de lá viver
É estranho
Como reviver uma antiga encarnação.
Eu já não sou mais aquele.
Morri umas três ou quatro vezes desde
Que morei aqui
E daqui me fui.
Continuarei morrendo
Até o dia de morrer de verdade
E renascendo em meio à solidão
De ter que batalhar pela vida.

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