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9.11.10

8.11.10

Mark Roomush


24.10.10

12.10.10

Pôr-do-sol de hoje / Today's sunset

For an english translation (a little rough), click here.

É engraçado e fascinante pensar que vivemos num mundo onde metade tudo é belo e fluido, tudo é paz e suavidade, cores e matizes sempre harmônicos e espectrais, dança de enormes volumes delicados e leves, onde tudo relembra o infinito e a grandeza, as imensidões e a infinitude do tempo, o lento passar de milênios, bilhões de anos, onde tudo relembra a liberdade e a imensidão serena... E metade são estruturas sólidas, gastas e cansadas, tentando resistir à transformação - densas, confusas e complexas, geométricas, metálicas e rígidas, reflexo da mão, jeito de pensar e necessidade do homem, reflexo da sua necessidade de partir de coisas simples, para não se perder na complexidade que é a sua tendência.
Hoje ventou muito aqui no bairro e agora ao pôr-do-sol está fazendo um céu espetacular, de um amarelo alaranjado dramático e nuvens suaves, finas e compridas, como verdadeiras estradas no céu, deslizando lentamente na direção do vento, não à toa a mesma direção do seu comprimento. Do apartamento onde estou tem-se uma visão ampla do bairro e até de bairros distantes (é um lugar alto aqui), numa transição gradual de apenas casas para altos prédios, já perto do horizonte. Olhando à direita, no térreo/terraço/playground de um prédio vizinho, uma espécie de pequeno jardim suspenso, com grama, piscina e portas de vidro, banhado por tênues lâmpadas bem amarelas, crianças brincam e correm pra lá e pra cá, interagindo entre si numa dança de coreografia caótica, mas com ritmo bem definido, se você observar mais longamente. Mães, paradas em pé, em volta, observam-as atentas, movendo apenas as cabeças, praticamente atadas ao vaivém do pequeno turbilhão infantil.
Daqui, olhando as crianças, depois olhando para o céu, depois para as crianças de novo, depois para o céu - calmamente, contemplando-os sem pressa... E respirando, tragando profundamente esse vento frio porém mais puro que o normal, com certo cheiro de água e de árvores, que chega aqui na minha janela, e ouvindo os gritos e risadas das crianças (um som que sempre me chamou a atenção em vários lugares onde morei e que sempre me trouxe uma sensação mista de paz, harmonia, felicidade, saudosimo e um certo tédio)... Daqui, contemplando esse espetáculo silencioso de um pequeno pedaço comum porém mágico do cosmos, senti fortemente o quanto o ser humano é breve e intenso em sua existência. O quanto nós, que somos no fundo como aquelas crianças tão entretidas com suas vontades e desejos imediatos e incessantes, não prestamos atenção, não compreendemos, não acompanhamos e não entramos em comunhão com esse lento e silencioso - e majestoso - transcorrer do universo. Nem sequer por exemplo com essa outra metade do nosso entorno, por exemplo, que são o céu e as nuvens (e estrelas), e o seu jogo de luzes, vapores, gases, cores, em diversas escalas, que nunca se repetem. Mas ao mesmo tempo, essas crianças, suas formas e movimentos, e o ambiente que as cerca, é tão belo e mágico quanto as nuvens. Tão dignas de uma contemplação demorada quanto. Nos entediamos ao olhar longamente para o céu. Mas será que as nuvens se entediariam ao olhar longamente para uma cidade? Concordo que tem dias que o céu está bem limpo (o que é bom para sair de casa), mas monótono. Mas hoje o céu estava num daqueles dias onde milhões de detalhes de nuvens intrincadas e espectros de cores e névoas no horizonte levam no mínimo alguns minutos para serem apreciados.
Os gritos misturados das crianças e essa sensação de paz me fizeram lembrar de um dia, há quase um ano quando, voltando da praia, tive um "insight" (no caso, uma visão ampla e instantânea de uma coisa, muito mais ampla, instântanea e clara do que o normal, uma espécie de elucidação forte). Tinha ido sozinho à praia e passado a tarde toda nadando, descansando na areia, nadando de novo... Chegando em casa, tomei um banho e deitei no escuro, meio exausto e muito relaxado. Pensei em ligar o som e ouvir um pouco de Yardbirds (o cd já estava no som, era só dar play), mas estava tão relaxado que não sei porquê preferi "curtir a stasis" (o prazer estático) do silêncio. E estava curtindo, quando comecei a prestar atenção, sem querer, num choro forte de bebê. O som cresceu, como é normal ao prestarmos atenção num som específico em meio a vários, e continuou crescendo. Eu estava deitado, naquele estado entre o sono e a vigília, uma espécie de torpor e cessação dos pensamentos.
De repente, como que trazidos ou estimulados por cada onda de choro do bebê, começaram a vir à minha mente um turbilhão de imagens que pareciam cenas do passado, de séculos atrás. Sequências e sequências de imagens de guerra e luta, de disputas, duelos até a morte, agressões, estupros, submissões violentas de pessoas mais fracas, batalhas, lutas e mais lutas. E era como um sonho: não era eu que estava tecendo, elaborando aquelas cenas conscientemente. Elas vinham, várias de vez, misturadas, instantaneamente. Eu só tentava não interromper esse fluxo, como quem tenta não acordar de um sonho bom, e tentava capturar o máximo que conseguia, como se estivesse vendo através da janela estreita de um ônibus deslocando-se rápido, as cenas do lado de fora.
E o bebê continuava chorando, e seu choro parecia totalmente ligado às imagens (imagens em movimento, de muita ação). E as cenas pareciam cada vez mais antigas, até parecerem pré-históricas. Homens se degladiando com facas de pedra, em roupas de lã e de pele. Então foi ficando mais nítido o único pensamento que tinha vindo à minha mente durante todo o choro do bebê: "essa é a condição humana". Essa é a essência do homem. É assim que ele vem ao mundo, chorando e gritando, desesperado e confuso, cheio de conflito. E ele passa a vida em conflito, se debatendo," chorando". Preso dentro do próprio corpo, incomodado com a própria condição, tentando se acostumar a isso. Enquanto houver o ser humano haverão guerras desnecessárias, disputas por qualquer besteira, intrigas, violações, violências, assassinatos, atentados, estupros (físicos e morais), lutas, ódios, submissões, execuções, tiroteios, humilhações em público. Não que só vá haver isso, mas isso sempre haverá. Isso faz parte da essência do ser humano. Se você observar cavalos por um longo tempo, começará a entender a sua essência, a essência da "condição eqüina", ou melhor, da condição "hípica" (para não confundir com outros eqüinos). Se observar macacos, começará a entender melhor o que é ser um macaco, a "dura condição símia". Vale à pena observar seres humanos de longe, sem ser notado, durante um longo tempo, ou em diferentes ocasiões, quando for possível, para entender um pouco mais esse animal tão singular. Contemplá-los sem preconceitos, sem querer ver nada, nem essas coisas que escrevi acima. Nada. Só prestando atenção.
Ao final desse "transe" que tive, o que me veio muito claramente foi uma forte compreensão para com o ser humano. Uma grande compaixão por todos nós. Porque realmente é um pobre coitado o ser humano e essa sua dura condição, que ele não escolheu. Mesmo os mais escrotos, ainda assim são coitados. São só egoístas sem valores e sem referências morais que estão tentando se virar como podem desde que foram jogados na vida.

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NOTA: Não foram só imagens de lutas e violência que me vieram à mente naquela hora. Foram como vidas inteiras passando por mim num flash, aceleradas. Mas estas cenas foram as que me chamaram mais a atenção, e também não quis fazer aqui um texto longo demais.

3.9.10

Estudo rápido - Rei Antigo / Speedpaint - ancient king




Variações... clique na imagem.
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For variations... click in the pop-up image.

1.9.10

Storyboard


Quadros de storyboard feito cerca de 6 meses atrás. Trabalho como freelancer, para uma marca de chocolate. Clique no canto da imagem ampliada para passar para os próximos quadros.
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Frames of a storyboard I've drawn 6 months ago. Freelance work for a chocolate/candies brand. Click in the pop-up image's corner to flip through the frames.

30.7.10

Esboço de personagem / Character Sketch



Releitura completa de um personagem de salgadinhos meio conhecido. Trabalho pessoal.
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Complete redesign of a somewhat known character from a snack brand. Personal work, just for fun.

23.7.10

Esboço - Ação / Action Sketch



Clique no canto para ver versão preto-e-branco.
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Click in the corner to see B&W version.

22.7.10

Concept Sketch

14.7.10

Rato - Esboço / Rat - Sketch




Clique no canto esquerdo para ver uma pequena variação.
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Click on left corner to see a subtle variation of the scene.

29.5.10

Pedaço de Pensamento 1 / Piece of Thought 1

A vida é estranha
Mais estranha que a morte
Os desesperos são muitos
A capacidade de esquecer tudo e cair na risada também
A hora que mais penso é quando estou andando
Consigo refletir em outra frequência
Diferente de pensar em casa.
Vou morrer um dia e não serei mais nada
Isso me intriga e me entristece mas me deixa mais... zen.
Provavelmente eu nem sou nada.
É possível que eu nem exista.
Todos os milhões de conflitos
Deslizando na corrente dos meus pensamentos e sentimentos
Devem ser menos que uma vaga fumaça esguia para o cosmos.
Enchendo o copo descartável com água, num andar vazio de prédio
Num lugar onde trabalhei como freelancer, olhando para o corredor
quase sem luzes acesas, uma percepção estranha me veio à cabeça.
Uma solidão sólida, duramente real, mas não totalmente desvendada.
Porquê eu estava ali? Pra quê? Porque tinha que estar ali a essa
altura da minha vida?
Percebi mais um pouco o quanto minha vida foi e será gasta com
momentos insignificantes, sem sentido.
Voltar num lugar onde se viveu muito
E se cansou muito de lá viver
É estranho
Como reviver uma antiga encarnação.
Eu já não sou mais aquele.
Morri umas três ou quatro vezes desde
Que morei aqui
E daqui me fui.
Continuarei morrendo
Até o dia de morrer de verdade
E renascendo em meio à solidão
De ter que batalhar pela vida.

16.3.10

Personagem antigo / Old Character



Personagem antigo, de uma história que venho desenvolvendo "aos poucos". Ou melhor, escrevi há alguns anos e retomei há um tempo atrás, reescrevendo algumas coisas, mudando alguns personagens etc.
Clique no canto esquerdo da imagem ampliada para ver uma variação de cor.
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Old character, from a story plot I've been developing sloooowly. Better saying: I've written it some years ago and last year I decided to take a look at it again and develop it further, changed some characters, some plot details etc.
Click in the left corner of the magnified image to see a color variation

20.2.10

Quem é esse cara? / Who's this guy?



Tô há bastante tempo sem postar. Tem muita coisa pra postar, mas a maioria não posso publicar ainda.
Enquanto isso... Esses dias fiz essa pintura digital aí em cima... Quero ver quem descobre quem é esse cara. ;-)

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I'm not posting much lately. There's a lot of new stuff, but most of them I cannot publish yet.
In the meantime... I made the digital painting up here... Let'se see if you can discover who's this guy.
;-)